25 Setembro 2008




Simplicidade orgânica.


Conheci Macabéa em uma música e me apaixonei por ela em um livro. Moça simples, sem noção e quase inexistente. Quase. Mas existe. Não só pra mim, mas para Clarice Lispector e Rodrigo S.M., que se fundem para criar, delinear e nos entregar o ser mais puro que já existiu na literatura brasileira.

A Hora da Estrela foi o primeiro livro que terminei, recomecei e "reterminei". Hoje virou praticamente um manual, com anotações e passagens grifadas que me fizeram rir dessa nordestina miúda. Das afirmações absurdas mas completamente verdadeiras. Dos sentimentos e suas descobertas. Dos pensamentos e amor por sua vida, que tinha sabor de café frio e amargo, mas mesmo assim era boa. Tão boa que teria saudade de si mesma quando morresse.

Macabéa não se tratava de uma idiota, mas tinha a felicidade pura dos idiotas. Acreditava que era feliz e ria por não se lembrar de chorar. Apesar de não passar de um ser que só sabia chover, no fim, por poucos minutos, Macabéa experimentou uma explosão de sentimentos, sua vida mudou por completo, enfim descobrira a verdadeira felicidade.

Essa datilógrafa, virgem, que gostava de coca-cola e que se surpreendia como todos os dias à mesma hora fazia exatamente a mesma hora, me mostrou que até no capim mais vagabundo ha desejo de sol.




08 Maio 2008



Pushing me


No meio de tantos seriados sobre vampiros, zumbis, super heróis, hospitais e investigação de crimes hediondos, que hoje preenchem a programação tanto da televisão aberta quanto da fechada, eis que surge Pushing Daisies. Um seriado bom, despretencioso e engraçado.
A princípio trata-se de um rapaz - Ned - que tem o poder de reviver as pessoas por 60 segundos, com apenas 1 toque. Ned, juntamente com o investigador Emerson, aproveitam esse poder para desvendar crimes e assim conquistar a recompensa oferecida pela família da vítima.

Tudo seria simples se não fosse o acabamento dos personagens, no maior estilo Amelie Poulain. Diálogos inteligentes com vocabulário sutil, sem falar da expressão facial dos atores que parecem ter saído de uma revista em quadrinhos. Os cenários e figurinos coloridos são um capítulo à parte, fazem com que Tim Burton tema com uma concorrência à altura.

Apesar dos crimes e investigações, o humor e amor pairam sobre Pushing Daisies. Pelo fato de Ned não poder mais tocar sua amada - Chuck - o carinho com que se comunicam e se olham é apaixonante e extremamente puro. E mais apaixonante ainda são as deliciosas tortas produzidas pelo protagonista.

Amar alguém sem poder toca-la vale a pena pelo simples fato de sua presença...Com esse enredo, pelo menos uma vez na semana, a morte fica em segundo plano.



24 Março 2008



Just in time


Há quem passe pela vida sem saber oque é o amor. Sem nunca ter vivido ou ouvido um " Eu te amo " verdadeiro. Sem nunca ter sentido o calor do abraço e o beijo do amor incondicional.

Eu tive tempo de expressar todo meu afeto, de dizer milhares de coisas e sentir outras tantas. Eu tive tempo de abraçar, segurar na mão, brigar, chorar e fazer as pazes. Eu tive tempo para escutar, aprender, falar e me silenciar. Eu tive tempo. Não por saber do fim iminente, mas por ter vivido intensamente ao lado do maior amor da minha vida.

Apesar de ter aproveitado cada segundo e cada pedacinho desse amor, o tempo foi cruel. Cruel por ter sido curto. Cruel por ter me viciado no mais puro sentimento...Eu queria mais. Ela também queria mais.

18 Dezembro 2007

Onde está o Natal?




A cidade está linda. Papai Noel está em alta. Casas, shoppings e praças estão enfeitadas com as mais variadas formas do "bom velhinho", legião de renas, doendes, árvores e luz, muita luz. No meio disso tudo, apenas alguns poucos e pequenos presépios, mostram o verdadeiro motivo da data.

Natal não teria esse nome se ninguém tivesse nascido em 25 de dezembro há 2007 anos - E não foi o Papai Noel que nasceu nesse dia, também não havaim renas em Belém - Teoricamente essa é a data mais importante para o Cristianismo, é o nascimento Daquele que viveu e morreu em seu propósito de humanizar aquilo que já estava perdido. Apesar de existirem milhares de cristãos espalhados pelo mundo, poucos são aqueles que colocam o menino Jesus na manjedoura no dia 25, fazem uma prece em ação de graças ou que trocam presentes no dia de Reis. A grande maioria está mais interessada em torrar o 13º salário em prestações que durarão até dezembro do próximo ano.




A magia está no ar, mas o Natal está perdendo seu espírito. Não acho errada toda essa decoração das cidades. É bonito. Errada é essa inversão de valores. É não ensinarmos às nossas crianças o verdadeiro sentido das coisas, é não colocarmos em prática esse sentido. Errado é trocarmos a história por uma lenda.

Nem tudo está perdido, no meio dessa bagunça toda há aqueles que aproveitam o clima natalino para reconciliações, outros praticam caridade - ainda que uma vez por ano - e pessoas se esforçam para se reunir com seus amigos ou familiares distantes, nem que seja com o interesse de ver oque há embaixo da árvore.

28 Outubro 2007

Na companhia do medo




E eu pergunto: qual será a cura para o medo? Não medo de escuro, baratas, montanha-russa ou avião. Não. É aquele medo que surge sorrateiro, derruba o otimismo e abala nossa fé. Um sentimento que vem junto com a angústia, muito forte, que causa cólicas no estômago, calafrios, tremores, formigamento na ponta dos dedos e que, geralmente, quando vai embora nos deixa atordoados e com dor de cabeça como recordação.


Sentir medo é saudável. É o tempero da vida passando em nossas veias, que nos empurra ao desconhecido quase como um desafio aos nossos próprios limites, podendo causar até um certo prazer quando vencido. Mas esse outro medo é diferente. É o medo do mau, que faz com que a adrenalina seja usada inutilmente, uma vez que não estamos enfrentando nada físico ou real. Medicamentos psicotrópicos, chocolate, abraços amigáveis, terapia e exercícios físicos são artifícios que podem ajudar, mas não curam. São coadjuvantes na tentativa de se aprender a viver com esse sentimento tão cruel. Talvez minha pergunta então seja outra: por que sentimos esse tipo de medo? Não consigo achar uma explicação plausível para sua existância. Nem a fisiologia nem a psicologia me convencem.


Eu sinto esse medo - agora com mais freqüência - e não gosto. Quero saber de onde ele vem e porquê. Assim, quem sabe, possa aniquila-lo e poupar minhas células desse estresse desnecessário, deixa-las livres para sentir o medo do bem. Quero que as noites em claro voltem a ser aquelas passadas entre amigos e que, a adrenalina, apareça quando eu estiver diante de um navio.

15 Outubro 2007

...

Aaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

hhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

hhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh...

24 Setembro 2007

Monique and the Chocolate Factory

Sim. Eu confesso. Fui eu. Eu comi os 3 últimos chocolates da caixa de bombons finos vindos da Alemanha. E é muito provável que eu tenha comido os 20 primeiros também. E foi por puro prazer.

Chocolate é o meu maior pecado, e meu melhor amigo também. Não só meu, mas acredito que da maioria das mulheres. É um pedaço do céu ao nosso alcance, capaz de acalmar um coração partido, incendiar o início de um relacionamento ou apenas abrir um delicioso sorriso, a qualquer momento. Experimente comer um chocolatinho assim, no meio do dia para ver como tudo volta a estaca zero...os problemas podem não se resolver mas que ficam menos amargos, isso ficam. É tão verdade, que na minha última viagem fui capaz de gastar cerca de R$ 100,00 só em chocolates e derivados, afinal de contas - só se vive uma vez!

Existem inumeras pesquisas que mostram os malefícios e os benefícios do chocolate, se bem que agora não consigo lembrar de nenhuma desvantagem - acho que é isso que chamam de memória seletiva - enfim, oque realmente importa é sabermos que o chocolate reduz os riscos de problemas cardivasculares, melhora a memória, combate o envelhecimento precoce, alivia o estresse e causa muito prazer. Não interessando se tudo isso só será ativado com apenas 30 gramas por dia de chocolate meio amargo, oque interessa é que o chocolate deve fazer parte da nossa dieta se quisermos ser pessoas mais felizes.

O chocolate é tão importante que os cristãos, capitalistas, o incorporaram em uma de suas datas mais importantes. A Páscoa é de longe meu feriado preferido. Ao celebrarmos a vida, banhamos nosso dia com o melhor desse quitute...e o melhor, sem culpa. Quer imponência maior doque essa?


Todos os povos tem influência na história do chocolate. O cacau atravessou o mundo e virou moeda corrente. Hoje, está em todos os lugares, acessível, com preços dos mais variáveis e com gostos dos mais variáveis. Sim. Sou chocólatra assumida. Mais doque isso, sou uma apreciadora dessa iguaria, que mesmo com medo do personagem, casaria com Willy Wonka só por interesse na herança...mesmo porque Johnny Deep conhece os segredos dos chocolates de Vianne Rocher.

Seja lá quem tenha transformado uma semente em prazer, eu certamente daria um beijo na boca de quem inventou o chocolate.